Gestão Financeira para Designers

Entrevista concedida à http://www.designflakes.com.br / No mês de julho, a editora 2AB está lançando o livro “Manual do Freela: Quanto cus...

Entrevista concedida à http://www.designflakes.com.br/

No mês de julho, a editora 2AB está lançando o livro “Manual do Freela: Quanto custa meu design?”, de André Beltrão. O foco deste primeiro manual é ensinar gestão financeria para freelancers.

“A idéia é que este seja o primeiro de muitos manuais, sempre com uma linguagem simples e direta, visando ajudar o freelancer a estruturar bem sua carreira para crescer profissionalmente”, conta Vítor Barreto, editor da 2AB.

André, que é designer e proprietário do Studio Creamcrackers, no Rio de Janeiro, conta que o livro é fruto do workshop de mesmo nome, ministrado por ele em várias cidades do Brasil. “O curso gerou discussões importantíssimas sobre o valor e o custo do nosso trabalho, e percebi que não existia no mercado nenhum livro que falasse especificamente sobre isto. Então tive a idéia de criar este manual”, conta André.

O designer garante que, mesmo sendo baseado na experiência da atividade de design, o “Manual do Freela” destina-se a qualquer profissional de criação.

O Manual:

O manual começa explicando o que é uma atividade comercial. Afinal, um freela, para se tornar um bom profissional, precisa entender de despesa, lucro, receita e criar valores. Ele, sozinho, será o chefe, o melhor empregado, o administrador. E isso precisa estar bem entendido para que o “negócio” vá adiante.

Montado este cenário, André dá dicas precisosas: Como alocar os diversos custos fixos e também variáveis de cada projeto; Como calcular juros para parcelamentos; Como montar uma proposta de serviço; Quando dar descontos; Dicas para se relacionar bem com os clientes – até mesmo os mais complicados; Como conciliar trabalho e vida pessoal; Qual a melhor hora para abrir sua própria empresa e o que muda na estrutura de custos neste novo cenário.

Depois de ler este manual, o freelancer verá sua carreira solo decolar de uma vez por todas!

Veja depois do Leia Mais a nossa entrevista com André, que solucionou algumas dúvidas bem comuns dos freelancers:

DesignFlakes – Fala André, é uma honra ter você aqui no Designflakes e ainda mais com um assunto tão discutido como o freela e ainda com o lançamento de um livro seu com esse assunto, vamos aproveitar e falar um pouco disso? Acho que uma dúvida frequente de quem faz freela é, como eu faço um orçamento? Existe uma dica prática?
André Beltrão – Sim, o livro tem várias dicas práticas relacionadas a isto, dependendo da situação. Tem a montagem de uma planilha com base no cálculo de horas X custo-hora, mais dicas sobre reserva de tempo, margem de negociação, impostos, etc.

DF – Um freela tem obrigatóriamente de ter sua empresa e nota fiscal?
AB – Não, dependendo do trabalho e seus clientes, muitas vezes não precisa de nada, apenas de um recibo simples. Legalmente, precisa sempre apresentar uma RPA, que pode gerar retenção de impostos. Caso precise sempre apresentar RPAs, pode registrar-se como microempreendedor individual, que paga menos impostos, mas tem um teto baixo de faturamento mensal, ou emitir as RPAS caso fature mais que esse teto, ou se tiver um faturamento mensal alto e constante pode mesmo se associar a outra pessoa e abrir uma empresa Ltda, deixando de ser freela.

DF- Geralmente se cobra 50% do valor no começo do trabalho, você acha que isso pode sakvar o profissional de um calote?
AB – Salvar não salva, mas gera comprometimento, ou seja, como já pagou algo, tem menos chance de o cliente desistir do projeto. Mas depois que o projeto foi entregue, ele pode resolver dar calote do restante. É sempre bom ter uma proposta assinada, que tem força de contrato.

DF – Sendo freelancer, o designer tem de lidar com clientes, pessoas e muitas vezes isso gera um pouco de atrito, existe uma dica pra evitar mandar o cliente pra “aquele” lugar?
AB – Primeiro, acho que é avaliar o potencial do cliente ao longo do tempo. Nunca deve mandar para aquele lugar, se for uma relação ruim, o melhor é educadamente pedir desculpas e dizer que não tem como atendê-lo mais por alguma razão. Mas o ideal é estudar um pouco de negociação, quase todas as situações de conflito tem um caminho do meio que pode ser bom para os dois.


DF – O freelancer tem mais liberdade criativa? Até que ponto o cliente tem direito de modificar seu trabalho?
AB – Ah, isso não muda muito pelo fato de ser um freela, exceto pelo aspecto que não há intermediário entre o freela e o cliente, como um profissional de atendimento, o cliente pode se sentir mais à vontade para “usar e abusar” mas por outro lado a chance de um briefing mais completo é maior, já que o freela pode a qualquer momento falar diretamente com o cliente. As modificações durante o processo podem ser combinadas, algo como teremos até X mudanças de layout por este valor, a partir disso combinaremos um acréscimo, ou uma cláusula de que as etapas anteriormente aprovadas para serem retomadas e modificadas implicarão um acréscimo de x%. É importante deixar tudo combinado no início.

DF – Um contrato pode ajudar nesse relacionamento? Como fazer pra que ele seja respeitado por ambas as partes?
AB – O contrato é essencial. Ele não deve ser muito extenso, mas deve ter detalhes práticos sobre o processo de trabalho, o que está incluído e as condições combinadas para pagamento e desenvolvimento. É importante no momento que o cliente aprovar salientar os pontos mais importantes, combinar prazos, etc, e semre que sair um pouco da linha chamar ao contrato, como “veja, por mim tudo bem incluir este outro item, mas ele não estava orçado antes, vou precisar enviar um complemento de orçamento.” ou “o trabalho não será finalizado? Ok, vamos cobrar então 60% como consta em nosso contrato. Se vier a ser retomado no futuro podemos finalizar cobrando apenas o complemento” etc.

DF – Sabemos que muita gente é avesso a planilhas de cálculo, mas existe um modo de não se perder nisso e criar um método para que elas ajudem ao invés de tomar mais tempo?
AB – Elas realmente não tomam tempo. Leva algum tempo para fazer a primeira, depois basicamente é só inserir dados, como colocar os valores na calculadora, só que as planilhas somam e multiplicam sozinhas quando as formulas estão lá. Só dá trabalho montar a planilha inicial, que requer introduzir as fórmulas nas células. Eu uso no escritório a mesma planilha desde 2003/2004, venho apenas atualizando quando mudam os salários, a equipe ou as despesas. Mas só deu trabalho para fazer há 7 anos atrás. O manual do freela vai ter um hotsite onde disponibilizaremos as planilhas do livro prontas, o freela só precisará preencher os dados dele.

DF – Quando o freelancer deve dizer não?
AB – Para qualquer escritório de design dizer não é sempre motivo de ponderação, já que afinal envolve riscos (de perder o cliente, de perder o projeto, de não ser pago, etc). Para um freela é ainda mais difícil, já que na percepção do cliente o freelancer é quase uma unidade mínima de profissional de design, a menos que já seja um freela de renome o cliente sempre vai ter uma sensação de poder (de conhecimento e de gerência) sobre o desenvolvimento do projeto.
Nos projetos o freela, como qualquer escritório, deve estarbastante envolvido com o problema, com o negócio do cliente, e estar bem embasado tecnicamente e conceitualmente em seu projeto. Deve ser capaz de defender seus pontos de vista, porém sem dizer não, aqui cabe sempre negociar e o bom senso é que manda.
Na contratação dos serviçøs, aí sim, é importante não se deixar abusar. Recusar propostas indecentes, condições absurdas, pagamentos a perder de vista. Deve recusar-se a trabalhar além do combinado sem acréscimo, a deixar de viver para só trabalhar, e acima de tudo, deve dizer não a tudo o que for contra seus princípios. Nada de se corromper.

DF – Como fazer para conseguir seus primeiros trabalhos freelas?
AB – Muitos amigos começaram como eu conseguindo os primeiros trabalhos na própria universidade. É bom ter um relacionamento positivo com os professores, com o coordenador do curso, ter envolvimento em atividades extraclasse, participar de concursos de design que são divulgados entre os estudantes, fazer e aparecer. Muitas vezes os professores podem indicá-los para vagas de estágio, emprego e para projetos-freelas. Algumas escolas possuem escritórios modelo ou parceria com Centros de Design, onde também é possível começar.
Muita gente começa fazendo trabalhos para amigos e parentes.
É importante criar uma rede de relacionamento com todas essas pessoas, e fazer o que aparecer com qualidade, dando o melhor de si. Outros projetos virão naturalmente, por indicação também, o cliente satisfeito vira seu promotor. Isso costuma dar mais certo no início que anunciar e prospectar a torto e a direito, e como a base de clientes está mais ligada à família ou à universidade, há mais tolerância e cooperação nos primeiros projetos, que trazem uma grande carga de aprendizado.

DF – Podemos viver somente com isso?
AB – Sim! E pode ser muita coisa. Freela que progride acaba virando escritório, muita gente vive sendo freelancer sempre, mas legal mesmo é pensar que não temos limite para crescer, crescemos profissionalmente até onde podemos enxergar, ou até onde queremos ir, até chegar lá é tudo percurso, e o legal de viver o percurso é a vontade de chegar.

DF – Algum conselho final pro pessoal que faz freela?
AB – Ih, tem muitos. Lá no Manual tem dicas a todo instante. É importante sobretudo necessário ser organizado e planejador, persistente e criativo com as situações que vai lidar.

DF – Obrigado André pela entrevista e desejamos sucesso com o livro, esperamos também que ajude os profissionais independentes a se situar nesse mercado tumultuado de freelance!
AB – Obrigado, Rodrigo, e tudo de bom, fique à vontade se quiser perguntar mais algo. Abraço! André Beltrão.

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